Thursday, December 11, 2008

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Thursday, November 27, 2008

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Wednesday, November 26, 2008

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Friday, January 19, 2007

O anão triste.

 

De pau em riste
O anão Cidão
Vivia triste.
Além do chato de ser anão
Nunca podia
Meter o ganso na tia
Nem na rodela do negrão.
É que havia um problema:
O porongo era longo
Feito um bastão.
E quando ativado
Virava… a terceira perna do anão.
Um dia… sentou-se o anão triste
Numa pedra preta e fria.
Fez então uma reza
Que assim dizia:
Se me livrasses, Senhor,
Dessa estrovenga
Prometo grana em penca
Pras vossas igrejas.

Foi atendido.
No mesmo instante
Evaporou-se-lhe
O mastruço gigante.
nenhum tico de pau
Nem bimba nem berimbau
Pra contá o ocorrido.
E agora
Além do chato de ser anão
Sem mastruço nem fole
Foi-se-lhe todo o tesão.
Um douto bradou: Ó céus!
Por que no pedido que fizeste
Não especificaste pras Alturas
Que lhe deixasse um resto?
Porque pra Deus
O anão respondeu
Qualquer dica
É compreensão segura.
Ah, é, negão? Então procura.

E até hoje
Sentado na pedra preta
O anão procura as partes pudendas…
Olhando a manhã fria.

Moral da história:
Ao pedir, especifique tamanho
Grossura quantia.

(Hilda Hilst, Bufólicas.) 

Posted by Thiago Aranha at 21:06:39 | Permalink | Comments (4)

Sexta-feira, 19 de Janeiro de 2007

Não sei como começar este diário. Meu médico disse que seria bom para eu liberar meus sentimentos contidos, porém  sempre achei que a minha mão direita fosse responsável por esta parte do tratamento. Bom, assim é até melhor. Ele falou que isso também vai ajudar a curar minha tendinite.

O doutor pediu que eu escrevesse sobre o meu dia. Como eu sofro de insonia e ainda são cinco da manhã, creio que não tenho muito sobre o que escrever, mas vamos lá:

“Querido diário (não, muito clichê) Meu querido diário (não, não, muito pessoal) Diário (assim não, muito impessoal) Astolfo (é, assim fica melhor),

Hoje eu acordei e fui ao banheiro.

Fim. E amanhã tem mais.

Posted by Thiago Aranha at 20:38:44 | Permalink | Comments (7)

Monday, January 15, 2007

FDS? FDP!

Rogério é um homem desiludido com o final de semana. Desde criança, os finais de semana nunca guardaram surpresas agradáveis para o pequeno Rogério, ou, quando criança, “Borrado”, apelido herdado de um incidente com salgadinho requentado no recreio e uma professora que não deixava ir ao toillete durante a aula.

Todo fim de semana era a mesma ladainha: sábado era dia de ir ao clube, onde aquele bando de crianças malvadas e sedentas por sangue lembravam constantemente de sua herença nominal: “o Borrado não vai jogar no meu time” ou então “mas você que foi o último a escolher” e era assim o resto do dia.
Já no domingo, Rogério tinha que acordar cedo pois era dia de missa. Ele não entendia muito bem tudo o que rolava, mas só o levanta e senta já deixava o menino puto. Juntando isso com o sotaque impossível do padre então, era um tormento.

Mas o pior do domingo não era a missa e sim o que vinha após a missa: o almoço em família. Tias, tios, avós, primos, pessoas que ele não fazia idéia de quem eram. Todos apareciam para filar uma bóia na casa do Rogérinho. Era um tal de tia apertando a bochecha, cunhado da mãe querendo assistir o Faustão, avô entupindo a privada. Sim, Rogério tinha certeza de que o final de semana era algo criado por Deus para provar às pessoas de que existe coisa pior do que trabalhar.

O tempo passou e aos poucos Rogério foi vendo que sim, poderia ser pior. Agora o final de semana de Rogério começa na sexta-feira, no “Happy” Hour com os colegas do trabalho, vital para garantir uma boa imagem entre a galera e especialmente com o chefe que dizia que “Sexta-feira eu só considero expediente terminado depois do bar. Quem não for vai ter que descontar do banco de horas, hein?”. É, o nível das piadinhas do chefe não passava daí. Hoje o sábado ganhou o Zorra Total, o domingo tem o programa do Gilberto “Leão” Barros, e a única, a única coisa que fazia Rogério sorrir ao final de toda aquela tortura já não existe mais, fazendo com que toda noite de domingo ele se pergunte, quase que querendo achar um sentido para o inexplicável: “Topa Tudo Por Dinheiro, por que me abandonastes?”.

É, Rogério. Eu também não sei.

Posted by Thiago Aranha at 21:16:10 | Permalink | Comments (5)

Os outros.

Incrivel como nós precisamos uns dos outros né? Por mais que tentemos nos apresentar como seres individuais e independentes, nossa vida se apóia secretamente na motivação que o resto da população coloca em você, seja por inspiração, obrigação ou superação. Calma, eu explico (sim, eu sei que se este fosse um bom texto eu não precisaria dar explicação alguma, mas se você está aqui já deveria saber o que iria encontrar).

Acredito que somos influenciados pelo mundo que nos cerca e esse mesmo mundo é que faz com que tomemos as atitudes que nos movem, seja porque você viu alguém fazendo algo, ou porque alguém vai achar algo do que você vai fazer ou porque você simplesmente quer fazer melhor alguma coisa que você viu fazerem. Maluco, né? É lógico que sempre tem aquele pessoal que diz que tá pouco se fudendo para o que os outros pensam, mas no fundo suas ações estão sendo guiadas por alguma dessas motivações que mencionei ai em cima.

Por exemplo, já fazia um bom tempo que eu não sentia vontade e nem inspiração para escrever neste blog e como esse não é meu trabalho eu apenas deixei de fazê-lo. Acontece que hoje, uma bela manhã congestionada de segunda-feira, eu chego na agência, mesa sem job, dou um gato no orkut e descubro o blog de uma menina ímpar que conheci no final de semana. Ela escreve(ia) sobre coisas comuns da vida de todos nós, só que por uma perspectiva tão única quanto a autora. Eu li aquilo e fiquei pensando “que legal que é escrever, apreciar um bom texto, exteriorizar pensamentos e sentimentos comuns. Porque que eu parei de fazer isso?”. E cá estou. Motivado por inspiração, escrevendo esse bando de baboseira que não tem um outro propósito a não ser puxar o saco da tal autora singular. Espero que tenha conseguido.

Ah, para quem quiser visitar o blog da mocinha, faça este favor a si mesmo: http://ascartas.weblogger.terra.com.br/index.htm

Posted by Thiago Aranha at 17:22:04 | Permalink | Comments (4)

Wednesday, August 23, 2006

Uma relação de amor e ódio

Escrever sobre banho é, para mim, um dos jobs mais complicados que eu já peguei. Não, não é porque eu não tomo. Aliás, hoje em dia não tenho problema algum com banho. O lance é que falar de banho e discorrer sobre o assunto, leva-me de volta à minha infância, e isso sempre me emociona.

Acho que, como para muitos outros garotos, o meu primeiro grande inimigo foi o banho, passando depois, ao brócolis, posteriormente, ao Bozo, de quem tenho medo até hoje e, por final, do nosso presidente. Depois do Bozo fiquei com muito medo de palhaço.

Mas o banho tinha aliados. De alguma forma, eu achava que ele controlava minha mãe. Afinal, ela tomava banho todos os dias, sabia quando eu estava me divertindo e estava sempre a espreita pra me tirar da rua, do videogame, da lama ou qualquer outra coisa muito legal que eu estivesse fazendo. Eu enrolava, fugia, esperneava e não queria ir de jeito nenhum para o banho. Não necessariamente nessa mesma ordem.

Mas toda batalha tem uma trégua.

Aconteceu a partir dos meus 11, ou 12 anos. Foi uma época de ouro. Se antes era difícil me levar pro banho, agora mamãe e papai ficavam sempre à porta do banheiro, perguntando o que diabos eu ficava fazendo, que demorava tanto. Acho que, até meus 15 anos, eu fui, em alguma parte, responsável pelo racionamento de água da Sabesp.

Hoje, exceto algumas incursões sexuais frustradas por um escorregão e um box partido, a minha relação com o banho é extremamente funcional. Eu entro, me ensabôo, lavo a cabeça, e saio pra me enxugar.

Aliás, pra mim, a parte mais chata do banho é se enxugar. Bate uma preguiça enorme quando eu olho para a toalha, a toalha olha para mim. Eu chego a ficar alguns segundos parado, pra ver se eu seco por obra divina. Nunca acontece. Deviam inventar um secador gigante, igual àqueles de mão em banheiro de shopping, você sai do banho, se posiciona embaixo do secador, e pronto, tá seco. Seria lindo. Ah, quem ler este texto, nem tente fazer o secador, a idéia já foi patenteada.

Falando nisso, alguém financia?

Posted by Thiago Aranha at 20:06:34 | Permalink | Comments (9)

Saturday, April 22, 2006

Coisas que não são minhas.

Inaugurando uma seção nova no meu blog, vou começar a colocar textos que eu acho legais aqui de vez em quando. Assim quem sabe, sobe o nível dessa tranqueira. Enjoy.

PORQUE PREFIRO CIANETO A SONETO

Vou dizer umas verdades,
sei que vão pegar mal.
Serei malhado em faculdades,
persona non grata em sarau.

Mas acho que poesia
(se não todas, boa parte)
é quase sempre porcaria
travestida de arte.

É só frase embaixo de frase
sem nexo algum que as case.
E se você ousar sugerir
que a coisa tá meio hermética,
fatalmente vai ouvir:
“Veja bem, é licença poética”.

Dispensa-se sentido,
mensagem ou conteúdo:
quem ler dirá ter entendido
para não passar por orelhudo.

Mas o cúmulo da picaretagem
é o tal Poema Concreto
em que o pseudopoeta
é também pseudo-arquiteto.

Quem vê aquilo não entende picas,
mas tem medo de falar.
Por que agem assim os maricas?
Acham que é chique gostar.

Enfim, detesto poesia.
Pois se fosse coisa boa
pseudônimos não usaria
Fernando Pessoa.

 

Eugênio Mohallem é redator publicitário, e atualmente, proprietário da Fallon/SP. 

Posted by Thiago Aranha at 20:38:36 | Permalink | Comments (6)

Tuesday, March 14, 2006

Atchim!!

Ficar doente está na moda. Melhor, as doenças estão na moda. Cada semana, cada mês, aparece uma nova epidemia que promete acabar com a raça humana, ou pelo menos, com parte dela. Nestes últimos tempos, várias foram as pragas que vieram ameaçar a nossa tranqüilidade e, mesmo assim, conseguimos escapar ilesos. Tivemos a dengue, a febre aftosa, a gripe asiática, a vaca-louca, a dengue de novo, a febre maculosa do carrapato-estrela, e agora, a celebridade do momento: a gripe aviária. Parece até o Lula em (não necessariamente) época de eleição: qualquer canal que você colocar, a maldita da gripe está lá.

Começa sério, nos jornais impressos ou no site de alguma renomada revista médica internacional. Então, vai chegar até o Jornal Nacional. A partir daí, a doença cresce numa proporção vertiginosa: “Milhões de pessoas começam a morrer no mundo inteiro”, “a doença já passou por tantos países”. Eles, os jornais e os chamados ‘programas da tarde’, chegam ao cúmulo de dizer a data e a quantidade de pessoas que a doença vai matar. Eu fico curioso pra saber como eles descobrem essas informações. É como se o vírus tivesse que passar pela alfândega de cada país que ele chega, e dizer a que veio:

- Prazer ou negócios?

- Um pouco dos dois. Vim matar 148 mil pessoas.

- E pretende ficar quanto tempo?

- Chego hoje, dia 14, e devo sair lá pelo mês que vem.

Neste espaço de tempo, a doença passa por todos os programas da televisão possíveis, e, coitado, o povo acaba levando tudo muito a sério. Eu mesmo, cheguei em casa ontem e minha mãe me chamou para uma “conversa séria”:

- Thiago, não vamos mais comer, nem ovo, nem frango.

- Mãe? Como assim? Porque isso?

- Eu ando vendo em todos os programas. Essa tal de gripe aviária ta chegando no Brasil em setembro, e eu não quero arriscar.

Putz, fala sério, a galera acredita em tudo mesmo.

Felizmente, o ciclo de vida midiático das pragas não é muito grande. Você sabe, por exemplo, que a doença atingiu o ápice da banalidade quando ela chegar na Luciana Gimenez, sendo discutida pela Bandida do Funk e pelo Sérgio Mallandro, aí a doença já é história. O assunto já esgotou, e outra, o visto do tal vírus já expirou.


Posted by Thiago Aranha at 20:54:25 | Permalink | Comments (7)