Thursday, January 12, 2006

Meu salário.

Salário de estagiário é igual pinto pequeno: é rir pra não chorar.

 

Se o salário de um estagiário dobrasse cada vez que pedissem para ele xerocar algum documento, ainda assim, continuaria valendo merda nenhuma.

 

Para os bons de grana, existem as Contas Personnalité. Para os universitários, a Conta Universitária. Para o estagiário, deveriam inventar a Conta Latrina, já que o que entra lá é uma merda mesmo.

 

Salário de estagiário é igual compra do mês na casa do Jô Soares: só dura a primeira semana.

 

Fato curioso: em algumas culturas, falar que a pessoa ganha um salário de estagiário é considerado um insulto imperdoável, que passa de geração para geração.

 

Se alguém diz que salário de estagiário é bom, só pode ser porque dura pouco.

Posted by Thiago Aranha at 03:55:43 | Permalink | Comments (7)

Wednesday, January 11, 2006

Um cara chamado Humor.

Esses dias eu conheci um cara chamado Humor. Gordo, careca, beberrão e, como ‘piéce de résistance’, casado, o que, sozinho, já faz do cara um bom material para piadas. Mas, além disso, Humor é pessimista. E acho que é isso que faz dele um ser tão engraçado. As pessoas adoram a visão de um pessimista. Não que elas também sejam, mas sim porque é uma delícia rir da desgraça dos outros. Sim, concordo que é uma visão trágica e pessimista, digna do Humor, devo dizer, mas vai falar que não é verdade? É só dar uma rápida paginada em alguns grandes comediantes da história.

Jerry Seinfeld: um dos ‘stand-up comediants’ mais famosos do mundo. Ganhou fama, mulheres e dinheiro falando da trágica vida cotidiana das grandes cidades americanas em seu seriado na TV.

Os irmãos Marx: dominaram o cinema durante as décadas de 1920 e 1930 e ganharam fama, mulheres e dinheiro com seus personagens clássicos como a ricaça de quem todos querem se aproveitar; o sujeito que mais quer se aproveitar dessa ricaça; o vilão que quer colocar tudo a perder; o palhaço que vive apenas para perturbar aos outros.

Os irmãos Farrely: safra nova da comédia americana, mas que também não deixam de lado o nosso amigo Humor. Em seu portfólio, os dois irmãos possuem filmes como “Eu, eu mesmo e Irene”, “Débi e Lóide”, “Kingpin –Estes Loucos Reis do Boliche” e o ápice da tragi-comédia, “Quem vai ficar com Mary?”, obras responsáveis pela atual fama, mulheres e dinheiro dos irmãos.

Lula e Severino: A dupla cômica que foi a sensação do momento. O pessimismo e a tragédia que ronda essa dupla é tanta, que todo o povo achou que era só mais uma piada e nem percebeu que no fundo estava se fodendo, o que acabou trazendo para a dupla, muita fama, mulheres e dinheiro.

            Tudo bem, agora que eu expliquei e te convenci de que no fundo, todos são sádicos, você deve estar se perguntando: E o que foi que aconteceu com o seu amigo Humor? Bom, eu contei algumas piadas sem graça pra ele e então o Humor disse que não queria mais ser meu amigo.

Posted by Thiago Aranha at 16:19:31 | Permalink | Comments (1) »

Tuesday, January 3, 2006

Resoluções.

Todo mundo sempre falou para Abelardo que a passagem do Ano-Novo era um ritual lindo, que trazia renovação e paz interior e, acima de tudo, abria um amplo espectro para que a Terra passasse a ser um lugar mais bonito para viver.

            Abelardo, apesar de acenar positivamente com a cabeça sempre que o falavam esse tipo de coisa, achava tudo isso uma bobagem. Para ele, o dia que marcava a transição do Ano-Novo era um dia como qualquer outro. A diferença é que no dia seguinte ele costumava acordar seminu, na areia da praia de Copacabana, e, para não dizer que era um dia completamente normal, as pessoas com quem ele falava pareciam estar hipnotizados com um termo conhecido como “resoluções de ano-novo” (expressão tratada pelos mais céticos como “conversa pra boi dormir”). Adolescentes ajudando velinhas a atravessar a rua, fumantes que já não fumam mais e barrigudos recusando uma cervejinha no bar com a premissa: - Este ano vou cuidar da forma!

            Mais Abelardo, no alto de seus 30 e alguns anos (nunca revelara a idade para ninguém, achava que era chique), não se alarmava muito com aquele mundo tão anormal. Já sabia de velho que no dia seguinte as velinhas estariam atravessando a rua sozinhas correndo atrás do simpático adolescente que lhe roubou a bolsa, os ex-fumantes estariam fumando um novo cigarro que invadiu a “praça” com um filtro 3,14 vezes mais forte que o anterior, e então não teria problema, e o barrigudo estaria de volta ao bar, bebendo “só mais uma, que é pra comemorar a entrada desse ano maravilhoso, que vai nos trazer a renovação e a paz interior da qual precisamos, Tin-Tin”.

 

Posted by Thiago Aranha at 23:34:04 | Permalink | Comments (3)