Atchim!!
Ficar doente está na moda. Melhor, as doenças estão na moda. Cada semana, cada mês, aparece uma nova epidemia que promete acabar com a raça humana, ou pelo menos, com parte dela. Nestes últimos tempos, várias foram as pragas que vieram ameaçar a nossa tranqüilidade e, mesmo assim, conseguimos escapar ilesos. Tivemos a dengue, a febre aftosa, a gripe asiática, a vaca-louca, a dengue de novo, a febre maculosa do carrapato-estrela, e agora, a celebridade do momento: a gripe aviária. Parece até o Lula em (não necessariamente) época de eleição: qualquer canal que você colocar, a maldita da gripe está lá.
Começa sério, nos jornais impressos ou no site de alguma renomada revista médica internacional. Então, vai chegar até o Jornal Nacional. A partir daí, a doença cresce numa proporção vertiginosa: “Milhões de pessoas começam a morrer no mundo inteiro”, “a doença já passou por tantos países”. Eles, os jornais e os chamados ‘programas da tarde’, chegam ao cúmulo de dizer a data e a quantidade de pessoas que a doença vai matar. Eu fico curioso pra saber como eles descobrem essas informações. É como se o vírus tivesse que passar pela alfândega de cada país que ele chega, e dizer a que veio:
- Prazer ou negócios?
- Um pouco dos dois. Vim matar 148 mil pessoas.
- E pretende ficar quanto tempo?
- Chego hoje, dia 14, e devo sair lá pelo mês que vem.
Neste espaço de tempo, a doença passa por todos os programas da televisão possíveis, e, coitado, o povo acaba levando tudo muito a sério. Eu mesmo, cheguei em casa ontem e minha mãe me chamou para uma “conversa séria”:
- Thiago, não vamos mais comer, nem ovo, nem frango.
- Mãe? Como assim? Porque isso?
- Eu ando vendo em todos os programas. Essa tal de gripe aviária ta chegando no Brasil em setembro, e eu não quero arriscar.
Putz, fala sério, a galera acredita em tudo mesmo.
Felizmente, o ciclo de vida midiático das pragas não é muito grande. Você sabe, por exemplo, que a doença atingiu o ápice da banalidade quando ela chegar na Luciana Gimenez, sendo discutida pela Bandida do Funk e pelo Sérgio Mallandro, aí a doença já é história. O assunto já esgotou, e outra, o visto do tal vírus já expirou.