Friday, January 19, 2007

O anão triste.

 

De pau em riste
O anão Cidão
Vivia triste.
Além do chato de ser anão
Nunca podia
Meter o ganso na tia
Nem na rodela do negrão.
É que havia um problema:
O porongo era longo
Feito um bastão.
E quando ativado
Virava… a terceira perna do anão.
Um dia… sentou-se o anão triste
Numa pedra preta e fria.
Fez então uma reza
Que assim dizia:
Se me livrasses, Senhor,
Dessa estrovenga
Prometo grana em penca
Pras vossas igrejas.

Foi atendido.
No mesmo instante
Evaporou-se-lhe
O mastruço gigante.
nenhum tico de pau
Nem bimba nem berimbau
Pra contá o ocorrido.
E agora
Além do chato de ser anão
Sem mastruço nem fole
Foi-se-lhe todo o tesão.
Um douto bradou: Ó céus!
Por que no pedido que fizeste
Não especificaste pras Alturas
Que lhe deixasse um resto?
Porque pra Deus
O anão respondeu
Qualquer dica
É compreensão segura.
Ah, é, negão? Então procura.

E até hoje
Sentado na pedra preta
O anão procura as partes pudendas…
Olhando a manhã fria.

Moral da história:
Ao pedir, especifique tamanho
Grossura quantia.

(Hilda Hilst, Bufólicas.) 

Posted by Thiago Aranha in 21:06:39 | Permalink | Comments (4)

Sexta-feira, 19 de Janeiro de 2007

Não sei como começar este diário. Meu médico disse que seria bom para eu liberar meus sentimentos contidos, porém  sempre achei que a minha mão direita fosse responsável por esta parte do tratamento. Bom, assim é até melhor. Ele falou que isso também vai ajudar a curar minha tendinite.

O doutor pediu que eu escrevesse sobre o meu dia. Como eu sofro de insonia e ainda são cinco da manhã, creio que não tenho muito sobre o que escrever, mas vamos lá:

“Querido diário (não, muito clichê) Meu querido diário (não, não, muito pessoal) Diário (assim não, muito impessoal) Astolfo (é, assim fica melhor),

Hoje eu acordei e fui ao banheiro.

Fim. E amanhã tem mais.

Posted by Thiago Aranha in 20:38:44 | Permalink | Comments (7)