Wednesday, March 8, 2006

Esse tal de sexo oposto.

Não consigo achar nada que tenha tantas dualidades quanto à mulher. Talvez o sexo, mas isso, no fundo, e no meu caso, tem tudo a ver com mulher. É impressionante o que esse ser, tão parecido com a gente, mas ao mesmo tempo tão diferente, pode despertar na turma dos peludos.

Um dia você as ama. No outro, as odeia. Uma noite, não vê a hora de sair com ela pra bater um papo. Na noite seguinte, você sabe que não vai agüentar conversar muito tempo sobre coisas do universo dela e quer só ficar em casa, largado no sofá, praticamente semi-morto. Mas não é por isso que a odeia. Nem que a ama.

Elas dizem ‘não’, quando querem dizer sim, e ‘talvez’ quando também querem dizer sim. Só o ‘sim’, que às vezes não é tão ‘sim’ assim. Caralho! É quase um trava línguas. E é bem desse jeito que a gente fica quando tá discutindo relação. Meio travado com os ‘sins’ e os ‘nãos’ que saem de suas bocas.

Mulher gosta que a gente sinta ciúmes. Mas nem tanto. Mulher também gosta de um pouco de indiferença. Mas não muita. Se você demora muito pra chegar nela, é lerdo. Se chega rápido, é galinha. Se você resolve não ficar muito em cima, tá desencanado demais. Se você liga toda noite, então é grudento. Se você se aproxima demais, ela se distancia. Se você se afasta, elas não agüentam ficar longe.

Mulher é a dualidade perfeita. Por isso elas nunca estão certas, nem erradas. Simplesmente, estão. 

Eu não sei como é que eu consigo viver com tanta mulher ao me redor, afinal, a grande maioria das minhas amizades é do sexo feminino. Ao mesmo tempo, eu não consigo me imaginar vivendo sem elas. Parabéns, mulherada.

Posted by Thiago Aranha in 18:48:30 | Permalink | Comments (12)

Thursday, February 16, 2006

Telemarketing.

- Alô?

- Boa tarde, meu nome é Cleiton, sou da Cia. Telefônica Rio Pardo, e gostaria de falar com o responsável pela linha.

- Sou eu mesmo.

- Olá senhor…

- Olavo.

- Sr. Olavo. Gostaria de informar o senhor sobre o mais novo serviço que a Cia. Telefônica Rio Pardo está disponibilizando para seus clientes.

- Não, obri…

- É o novíssimo “Detecta Pardo”. É um aparelho que, caso você autorize, nós estaremos instalando totalmente de graça no seu telefone. Com ele você fica sabendo quem está ligando, quem ligou, e até quem vai estar te ligando.

- Muito obrigado, mas…

- Além disso, o “Detecta Pardo” pode estar redirecionando as ligações para o seu aparelho celular quando você não estiver na sua casa. Tudo que você precisa é migrar para o plano de 200 reais/mês e o “Detecta Pardo” é seu, totalmente de graça.

- Mas eu nunca gasto isso durante o mês, eu moro sozinho.

- Só que assinando o plano, você leva de graça o “Detecta Pardo”.

- Mas então, não é de graça, né?

- Hum… a nível de custo, o apare…

- Faz assim, ó. Me passa o telefone da sua casa que, assim que você chegar lá eu te ligo dizendo se vou querer ou não o “Detecta Pardo”, ok?

- Desculpe senhor, mas não podemos estar fornecendo nossos telefones pessoais.

- Sei, entendo. Você não vai querer ninguém te perturbando bem na hora que você vai descansar, não é verdade?

- É, hum… acho que sim.

- Bom, agora você sabe como eu me sinto.

- …

- TU, TU, TU, TU, TU.

Posted by Thiago Aranha in 15:43:50 | Permalink | Comments (7)

Cotidiano.

O marido conversando com a esposa:

- Marli, meu xuxuzinho, você foi ao cabeleireiro hoje, foi?

- Fui sim, Vadinho. Porquê?

- Nada não, é que eu ia falar que você deveria ir mesmo, descansar, relaxar um pouco.

- É, eu tava precisando mesmo.

- Que bom que você está melhor então. Já que tá tudo bem, eu to saindo pra pelada com o Adalba, tá bom?

- O quê? Peraí que eu ainda não terminei, Edivaldo. Você disse que eu estava PRECISANDO ir ao cabeleireiro é?

- Precisando? Amorzi…

- Que amorzinho o que, Edivaldo! Eu fico aqui nessa casa o dia inteiro, limpando, arrumando tudo pra quando você chega do trabalho, e você ainda vem me dizer que eu tô um trapo é? Que direito você acha que te…

- Mas paix…

- E não me interrompa quando estou falando, Edivaldo.

- Tudo bem, linda.

- Agora você vem e me chama de linda, mas não pensou duas vezes em falar que eu estava feia e gorda, e que eu precisava ir pra um Spa, não é? A gente nunca tá bom o suficiente para vocês, homens.

- Você é ótima, amor.

- Puxar saco é fácil, eu quero ver como é que você vai se virar agora. A partir de hoje não tem mais comida quentinha na hora que chegar do trabalho. Você que vai cozinhar.

- Amor…

- Calma. A partir de hoje não tem mais cafuné e massagem no pé, e muito menos vou usar aquele baby doll que você me deu, ah não vou mesmo. Mas tá tudo certo, eu não ligo.

 

Silêncio.

 

- É… amor, hoje é quarta é?

- É sim, porque?

- Hum, é que… ah, acabei de lembrar que o Adalba tinha desmarcado o futebol nessa semana.

- É mesmo, Vadinho? Que bom que você vai poder ficar comigo hoje então.

- Claro, meu amor.

- Didi…

- Diga amor.

- Resolvi aceitar seu conselho.

- Que conselho, amor?

- O Spa que você disse que ia pagar pra eu ir. Acho que vou sim, talvez até nesse final de semana mesmo.

- Spa? No final de semana, amor? Mas…

- É. Agora silêncio, né Vadinho? Vai começar a novela.

 

E Vadinho se calou. Ligou para o Adalba, e desmarcou o futebol.

Posted by Thiago Aranha in 15:42:59 | Permalink | Comments (2)

Thursday, February 2, 2006

E porque não?

Como algum psicólogo chapadão já deve ter dito, alguns homens compram carros extravagantemente grandes para compensar o tamanho diminuto do pênis. A diferença é que quem entra no carro é a mulher.

 

Posted by Thiago Aranha in 17:25:50 | Permalink | Comments (2)

Thursday, January 12, 2006

Meu salário.

Salário de estagiário é igual pinto pequeno: é rir pra não chorar.

 

Se o salário de um estagiário dobrasse cada vez que pedissem para ele xerocar algum documento, ainda assim, continuaria valendo merda nenhuma.

 

Para os bons de grana, existem as Contas Personnalité. Para os universitários, a Conta Universitária. Para o estagiário, deveriam inventar a Conta Latrina, já que o que entra lá é uma merda mesmo.

 

Salário de estagiário é igual compra do mês na casa do Jô Soares: só dura a primeira semana.

 

Fato curioso: em algumas culturas, falar que a pessoa ganha um salário de estagiário é considerado um insulto imperdoável, que passa de geração para geração.

 

Se alguém diz que salário de estagiário é bom, só pode ser porque dura pouco.

Posted by Thiago Aranha in 03:55:43 | Permalink | Comments (7)

Wednesday, January 11, 2006

Um cara chamado Humor.

Esses dias eu conheci um cara chamado Humor. Gordo, careca, beberrão e, como ‘piéce de résistance’, casado, o que, sozinho, já faz do cara um bom material para piadas. Mas, além disso, Humor é pessimista. E acho que é isso que faz dele um ser tão engraçado. As pessoas adoram a visão de um pessimista. Não que elas também sejam, mas sim porque é uma delícia rir da desgraça dos outros. Sim, concordo que é uma visão trágica e pessimista, digna do Humor, devo dizer, mas vai falar que não é verdade? É só dar uma rápida paginada em alguns grandes comediantes da história.

Jerry Seinfeld: um dos ‘stand-up comediants’ mais famosos do mundo. Ganhou fama, mulheres e dinheiro falando da trágica vida cotidiana das grandes cidades americanas em seu seriado na TV.

Os irmãos Marx: dominaram o cinema durante as décadas de 1920 e 1930 e ganharam fama, mulheres e dinheiro com seus personagens clássicos como a ricaça de quem todos querem se aproveitar; o sujeito que mais quer se aproveitar dessa ricaça; o vilão que quer colocar tudo a perder; o palhaço que vive apenas para perturbar aos outros.

Os irmãos Farrely: safra nova da comédia americana, mas que também não deixam de lado o nosso amigo Humor. Em seu portfólio, os dois irmãos possuem filmes como “Eu, eu mesmo e Irene”, “Débi e Lóide”, “Kingpin –Estes Loucos Reis do Boliche” e o ápice da tragi-comédia, “Quem vai ficar com Mary?”, obras responsáveis pela atual fama, mulheres e dinheiro dos irmãos.

Lula e Severino: A dupla cômica que foi a sensação do momento. O pessimismo e a tragédia que ronda essa dupla é tanta, que todo o povo achou que era só mais uma piada e nem percebeu que no fundo estava se fodendo, o que acabou trazendo para a dupla, muita fama, mulheres e dinheiro.

            Tudo bem, agora que eu expliquei e te convenci de que no fundo, todos são sádicos, você deve estar se perguntando: E o que foi que aconteceu com o seu amigo Humor? Bom, eu contei algumas piadas sem graça pra ele e então o Humor disse que não queria mais ser meu amigo.

Posted by Thiago Aranha in 16:19:31 | Permalink | Comments (1) »

Tuesday, January 3, 2006

Resoluções.

Todo mundo sempre falou para Abelardo que a passagem do Ano-Novo era um ritual lindo, que trazia renovação e paz interior e, acima de tudo, abria um amplo espectro para que a Terra passasse a ser um lugar mais bonito para viver.

            Abelardo, apesar de acenar positivamente com a cabeça sempre que o falavam esse tipo de coisa, achava tudo isso uma bobagem. Para ele, o dia que marcava a transição do Ano-Novo era um dia como qualquer outro. A diferença é que no dia seguinte ele costumava acordar seminu, na areia da praia de Copacabana, e, para não dizer que era um dia completamente normal, as pessoas com quem ele falava pareciam estar hipnotizados com um termo conhecido como “resoluções de ano-novo” (expressão tratada pelos mais céticos como “conversa pra boi dormir”). Adolescentes ajudando velinhas a atravessar a rua, fumantes que já não fumam mais e barrigudos recusando uma cervejinha no bar com a premissa: - Este ano vou cuidar da forma!

            Mais Abelardo, no alto de seus 30 e alguns anos (nunca revelara a idade para ninguém, achava que era chique), não se alarmava muito com aquele mundo tão anormal. Já sabia de velho que no dia seguinte as velinhas estariam atravessando a rua sozinhas correndo atrás do simpático adolescente que lhe roubou a bolsa, os ex-fumantes estariam fumando um novo cigarro que invadiu a “praça” com um filtro 3,14 vezes mais forte que o anterior, e então não teria problema, e o barrigudo estaria de volta ao bar, bebendo “só mais uma, que é pra comemorar a entrada desse ano maravilhoso, que vai nos trazer a renovação e a paz interior da qual precisamos, Tin-Tin”.

 

Posted by Thiago Aranha in 23:34:04 | Permalink | Comments (3)

Thursday, December 29, 2005

Cinema, chatos e cine-chatos.

Ah, o cinema. Um lugar mágico, palco de romances lindos, batalhas épicas, das aventuras emocionantes e das histórias mais divertidas. Palco também, de todo o tipo de chato que pode ser encontrado nesse mundo. É impressionante como algumas pessoas conseguem ser chatas ao ponto de fazerem você pensar que “ah, teria sido melhor ir ver o filme do Pelé” ou sei lá o que mais. Os chatos de cinema são, depois dos fãns de metal (nada contra, ok?), as criaturas mais pentelhas que a cabeça do nosso querido “Criador” conseguiu inventar. É impressionante a diversidade de cine-chatos que eu já encontrei em minhas investidas cinematográficas.

O Chato-Galvão por exemplo, é aquele pentelho que senta na fileira atrás da sua, e, cuidadosamente, sem perder nenhum detalhe do filme (isso quem perde é você) vai narrando exatamente tudo o que está acontecendo na projeção para a pessoa que foi junto com ele, o Chato-Casagrande, que sabe que o amigo é chato e mesmo assim não faz nada, só fica ali escutando e, de vez enquando, emite um sonoro “é”. Vale dizer que algumas vezes o Chato-Galvão tem uma idade mais avançada, em torno dos 50, 60 anos e é do sexo feminino.

Tem o Chato-Tradutor, que é um chato de boas intenções, porém sem nenhum “cimancol”. Com a nova categoria de animações para adultos (Os Incríveis, Madagascar e etc.) ganhando cada vez mais força, a probabilidade de encontrar o Chato-Tradutor na poltrona ao seu lado é cada vez maior. São pais que levam os filhos nos desenhos e na hora “H” descobrem que o desenho é legendado. Vendo isso, os pais prestativos passam o filme inteiro lendo a legenda para o pequeno garoto, que, com os pais falando, deve prestar tanta atenção no filme quanto eu, que to sentado do lado do papai.

Não poderia me esquecer do Chato-AryToledo, que, a cada cena, destila piadinhas com a perspicácia e inteligência dignas de um grande animador de velório. Aliás, hoje mesmo, fui assistir a “Crônicas de Nárnia” (excelente filme) e o garoto atrás de mim era quase, mas não exatamente, completamente diferente de qualquer coisa engraçada. Durante todo o filme, ele ficou perguntando “Mas é o filme do Harry Potter?” e fazendo os mais diversos comentários, dos quais, a minha inteligência limitada e total falta de senso de humor não me permitiram achar graça alguma.

Na verdade existem muitos outros tipos de chato de cinema, mas acho que eu vou parar por aqui. Minhas irritações já estão começando a passar e outra, eu não quero que você saia do blog dizendo: chato é esse tal de Thiago Aranha.

Posted by Thiago Aranha in 04:31:03 | Permalink | Comments (4)